
Quando a vida da gente anda morna e sem graça, quando estamos meio perdidos e sem forças, todas as coisas de repente adquirem uma forma que antes não tinham. Sem dúvida alguma este é um estado perigoso. Perder a graça da vida é perder a vida de certo modo. Quantas pessoas andam pelas ruas como se já estivessem mortas? Perderam a felicidade de viver? Não sabem porque e para que vivem? O pior é que eu acho que como se vai morrendo aos poucos, ninguém acaba notando isso, não percebe-se, não se dá conta. Nossa! Tudo isso faz com que fiquemos em alerta, nenhum de nós pode perder a felicidade da vida. Nenhum de nós pode se perder do caminho. Por isso, apesar de esse blog ser intitulado 'Pequenas Felicidades', quero propor a todos que tomemos juntos altas doses de felicidade. Pequenas ou grandes, não importa a intensidade, importa sim a nossa disposição em recebê-las. Nesse texto de hoje que o site pensador.info alega ser de Carlos Drummond de Andrade, o autor nos explica um dos motivos mais comuns de perdermos a felicidade, e ele tem razão (de alguma forma, mas é claro que essa não é e não pode ser a única razão por não estarmos felizes). Vamos ao texto:
Definitivo
Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...
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